Economia

Economia do Brasil não voltará rápidamente após eleição, diz especialista

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Mesmo com as políticas econômicas certas, o vencedor da eleição presidencial de outubro levará o Brasil de volta aos trilhos, disse Persio Arida, assessor econômico de um dos candidatos favoritos do mercado, em uma entrevista.

Os déficits orçamentários que exigem reformas abrangentes nos gastos e na taxação levarão pelo menos dois anos, disse Arida, que assessora o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em sua candidatura ao principal cargo do país. Um projeto de lei para cortar benefícios de pensão deve ser aprovado pelo Congresso e levará tempo para ter um impacto nas contas públicas, disse ele.

A visão de Arida contrasta com a de Paulo Guedes, principal conselheiro econômico do candidato à liderança, o ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro. Guedes diz que o déficit fiscal primário pode ser reduzido a zero em um ano.

Ao contrário de 2002

Arida diz que a situação econômica do Brasil não é comparável à de 2002, quando os mercados financeiros explodiram quando os temores de que o candidato de primeiro escalão Luiz Inácio Lula da Silva abandonasse a política econômica sólida se mostrassem infundados após sua eleição. 
“O desafio é muito maior hoje”, disse Arida à Bloomberg News em entrevista por telefone. “A economia não está em boa forma.”

Persio Arida, de 66 anos, doutorado em economia pelo Massachusetts Institute of Technology, foi presidente do Banco Central do Brasil nos anos 90 e ajudou a elaborar o Plano Real, que acabou com a hiperinflação. Como membro de um grupo de guerrilha de extrema esquerda na década de 1970, ele foi preso e torturado durante a ditadura militar.

O estado brasileiro não só gasta mal, mas também tributa ineficientemente, acrescentou, não se concentrando em impostos sobre a renda ou sobre o valor agregado, como sugerem os livros de texto, mas em uma série de imposições pesadas que reprimem a produtividade.

Com apoio de um dígito nas pesquisas de opinião, Alckmin está significativamente atrás de Bolsonaro e do candidato esquerdista Fernando Haddad, que substituiu Lula como candidato do Partido dos Trabalhadores.

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