Fredy da Silva Gonçalves Bento
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Na scooter elétrica, o erro de compra só aparece no conserto

Três meses depois da compra, a scooter elétrica deixa de ligar. Fredy Restrito, CEO da Litoral Mobilidade, comenta que isso muitas vezes pode virar uma grande dor de cabeça: a loja virtual demora a responder, a oficina de motos do bairro não mexe na controladora eletrônica e a peça, importada, não tem previsão de chegada. A cena é comum entre quem entrou na mobilidade elétrica escolhendo o veículo apenas pela ficha técnica.

Por que tanta gente compra olhando só a ficha técnica?

Na hora da compra, o que se compara é visível: preço, autonomia, velocidade e design. O pós-venda não aparece em anúncio nenhum. Por isso, duas scooters com números parecidos soam equivalentes, mesmo quando uma delas não tem peça de reposição no país.

O mercado ainda jovem agrava o problema. A oficina tradicional domina o motor a combustão, mas nem sempre entende o sistema que gerencia a bateria, conhecido como BMS, ou a controladora que regula a potência do motor. Quando o defeito aparece, o consumidor descobre que comprou um produto sem rede de manutenção por trás. Não por acaso, a operação liderada por Fredy da Silva Gonçalves Bento reúne loja e assistência técnica, em vez de tratar o conserto como problema de terceiros.

Autopropelido ou ciclomotor: a classificação muda tudo

Outro erro frequente é jurídico. A Resolução 996 do Contran separa os veículos elétricos leves em categorias. O autopropelido tem potência de até 1.000 W, velocidade máxima de 32 km/h e largura de até 70 cm, e circula sem placa e sem habilitação. Acima desses limites, até 4 kW e 50 km/h, o veículo passa a ser ciclomotor.

A diferença pesa no bolso. Ciclomotor exige registro, placa, capacete e condutor com ACC ou CNH na categoria A. Segundo o Detran de São Paulo, desde janeiro de 2026, os ciclomotores sem registro estão sujeitos a autuação e remoção. Comprar um deles acreditando se tratar de autopropelido transforma a economia em multa.

A bateria define o custo de manter o veículo

Carregar a scooter na tomada da garagem, com um carregador genérico comprado às pressas, parece inofensivo, mas não é. A bateria de lítio é o componente mais caro do veículo, e sua vida útil depende de carregador compatível, ciclos de carga bem administrados e proteção contra calor excessivo.

Por isso, a garantia da bateria merece leitura separada da garantia do veículo. Prazo, cobertura e condição de uso costumam variar, e o comprador que não pergunta descobre as exclusões só quando precisa acioná-la.

O que perguntar à loja antes de fechar negócio

O Código de Defesa do Consumidor obriga fabricantes e importadores a assegurar a oferta de peças de reposição enquanto o produto for fabricado ou importado e, depois disso, por período razoável. Na prática, a lei só funciona quando existe quem mantenha estoque. A pergunta útil, portanto, é concreta: onde fica a assistência técnica, quem faz o reparo e em quanto tempo a peça chega.

Esse é o ponto que o empresário Fredy Restrito considera central para a profissionalização do setor. A Litoral Mobilidade mantém centro de distribuição próprio com mais de 2.000 m² e atua com importação, estrutura que aproxima a venda da reposição de peças e da manutenção.

Um veículo elétrico se compra pelos anos seguintes

A mobilidade elétrica mudou a lógica da compra. Como aponta Fredy Restrito, num veículo a combustão, o mercado de peças e oficinas existe há décadas e amortece a escolha ruim. Num veículo elétrico, essa rede ainda está em construção, e quem compra escolhe também quem vai sustentar o produto depois.

A decisão mais segura, então, não começa pela autonomia anunciada, mas sim pela pergunta sobre o que acontece no dia em que algo falhar. A resposta a ela diz mais sobre o valor do veículo do que qualquer número da ficha técnica.

 

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