Decolagem automática chega à aviação: Como novas tecnologias estão mudando a rotina dos pilotos
A automação já domina grande parte do voo, e Wander Aguilera Almeida, empresário e piloto de aeronaves, considera que a chegada da decolagem automática amplia uma transformação que exige do piloto um conhecimento cada vez mais aprofundado sobre os sistemas que monitora. A fase em que a aeronave deixa o solo, uma das mais críticas do voo, começa a receber o mesmo nível de apoio tecnológico já presente no cruzeiro e no pouso.
O pouso automático está em uso há quase seis décadas e é uma característica comum em aviões comerciais. A decolagem, por sua vez, continuou sendo conduzida manualmente. Em dezembro de 2019, um Airbus A350-1000 realizou, em Toulouse, na França, a primeira decolagem totalmente automática baseada em reconhecimento de imagens.
Desde então, os fabricantes desenvolveram sistemas próprios para automatizar essa etapa. A seguir, serão apresentadas as funcionalidades dessas tecnologias e a forma como elas contribuem para a rotina dos pilotos.
Como funcionam os sistemas de decolagem automática?
No projeto ATTOL, desenvolvido pela Airbus, câmeras e computadores instalados na aeronave são responsáveis por reconhecer a pista, calcular a posição e a velocidade e conduzir o avião ao longo da linha central até a rotação e a subida inicial. Os pilotos acompanharam o procedimento, porém não exerceram nenhum tipo de comando durante a realização da manobra.
A Embraer anunciou em 2024 o E2 Enhanced Take Off System, que integra a manete automática aos comandos de voo para definir com precisão o momento da rotação. A fabricante afirma que o sistema reduz a pista necessária e pode acrescentar até 350 milhas náuticas de alcance em aeroportos de pista curta.

Wander Aguilera Almeida
Ao comentar essa evolução, Wander Aguilera Almeida pontua que a precisão desses sistemas se baseia em dados de desempenho, que devem ser conhecidos e conferidos pelos pilotos antes de qualquer decolagem, seja ela manual ou automatizada. A implementação de modos automáticos de decolagem, já certificados em modelos da Airbus Helicopters, demonstra a expansão dessa tendência a diferentes segmentos.
O que muda na rotina dos pilotos?
Com a automatização da decolagem, a função do piloto passa a ser primordialmente a de monitorar o processo. Em vez de controlar diretamente a rotação, ele acompanha parâmetros, verifica se o sistema se comporta como esperado e permanece pronto para interromper a decolagem em caso de falha.
Essa mudança exige preparo específico. Conforme a avaliação de Wander Aguilera Almeida, o respeito às regras de segurança passa a incluir o domínio dos modos de automação, pois compreender as ações do sistema no momento certo é o que permite intervir de maneira adequada.
A redução da carga de trabalho em uma fase crítica permite que a atenção seja direcionada para a comunicação, o tráfego e as condições da pista. A habilidade manual continua sendo indispensável, e treinamentos recorrentes preparam os pilotos para assumir o controle quando necessário, inclusive diante de falhas de sensores ou de condições não previstas pelo sistema.
Automação que amplia, e não substitui, o piloto
A decolagem automática simboliza uma nova etapa na integração entre a tecnologia e a aviação. Os benefícios relacionados à precisão, desempenho e segurança são de suma importância, sobretudo em contextos aeroportuários caracterizados por restrições de pista ou condições desafiadoras. Nesse tipo de cenário, pequenas variações na execução podem ter consequências significativas.
Wander Aguilera Almeida, empresário e piloto de aeronaves, enfatiza que o avanço tecnológico reafirma a relevância do aprendizado constante no contexto da aviação. Cada novo sistema introduz responsabilidades adicionais para os profissionais que atuam na cabine.
A tendência é que a automação avance para outras fases do voo. Ainda assim, o julgamento humano, o planejamento e a capacidade de reagir a eventos inesperados continuam sendo a pedra angular da segurança.










