Mamografia e rastreamento: Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues analisa políticas e diretrizes no Brasil
O rastreamento do câncer de mama é uma das principais estratégias de saúde pública para redução da mortalidade feminina no Brasil, expõe Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico especialista em diagnóstico por imagem. No entanto, as recomendações sobre idade de início e periodicidade da mamografia variam entre países e instituições, refletindo não apenas critérios clínicos, mas também limites estruturais dos sistemas de saúde. Compreender essas diferenças é fundamental para avaliar como políticas públicas são formuladas e como elas impactam o acesso da população ao diagnóstico precoce.
No contexto brasileiro, as diretrizes oficiais priorizam a racionalização de recursos e a organização do atendimento em larga escala, o que influencia diretamente a definição do público-alvo do rastreamento.
Diretrizes nacionais e organização do rastreamento no SUS
No Brasil, o rastreamento mamográfico organizado é direcionado principalmente a mulheres entre 50 e 69 anos, com realização do exame a cada dois anos. Essa recomendação busca equilibrar benefícios clínicos e viabilidade operacional dentro de um sistema que atende milhões de pessoas em todo o território nacional.

No texto, Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues analisa o cenário brasileiro da mamografia, destacando normas, políticas públicas e critérios de rastreamento.
Essa escolha está associada à maior incidência de câncer de mama nessa faixa etária e à necessidade de concentrar esforços onde o impacto populacional tende a ser maior. Além disso, programas organizados dependem de capacidade de agendamento, interpretação de exames, confirmação diagnóstica e encaminhamento para tratamento, o que exige integração entre diferentes níveis de atenção.
Quando essas etapas não estão plenamente articuladas, o rastreamento perde parte de sua efetividade, explica o doutor Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, mesmo que a recomendação formal esteja em vigor. Porém ao comparar com outros países podemos ter uma surpresa. Confira!
Comparação com modelos adotados em outros países
Em países como os Estados Unidos, recomendações recentes passaram a indicar o início da mamografia aos 40 anos para a população geral, com exames bienais até os 74 anos. Essas diretrizes refletem contextos distintos de financiamento, disponibilidade tecnológica e capacidade de absorção de demanda pelos sistemas de saúde.
Conforme elucida Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a comparação internacional evidencia que as diretrizes não são definidas apenas por critérios médicos, mas também por aspectos econômicos e organizacionais. Sistemas com maior oferta de equipamentos e equipes especializadas conseguem ampliar o público-alvo do rastreamento sem comprometer a agilidade do atendimento.
No Brasil, ampliar a faixa etária de rastreamento exigiria investimentos adicionais em infraestrutura, profissionais e logística, além de estratégias para evitar sobrecarga em serviços já pressionados pela demanda assistencial.
Rastreamento por risco e personalização das políticas públicas
Uma das tendências em discussão no cenário internacional é a adoção de modelos de rastreamento baseados em risco individual, considerando fatores como histórico familiar, densidade mamária e perfil genético. Essa abordagem busca direcionar recursos de forma mais precisa, oferecendo acompanhamento mais intenso a quem apresenta maior probabilidade de desenvolver a doença.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues avalia que, embora essa estratégia seja tecnicamente promissora, sua implementação em sistemas públicos de grande escala ainda enfrenta obstáculos operacionais e financeiros. A coleta sistemática de dados, a estratificação de risco e o acompanhamento diferenciado exigem sistemas de informação robustos e integração entre atenção básica e especializada.
Sem essa estrutura, a personalização do rastreamento tende a permanecer restrita a segmentos da saúde suplementar, ampliando desigualdades no acesso à detecção precoce.
Impactos institucionais e desafios de governança em saúde
A definição de diretrizes de rastreamento envolve decisões que afetam diretamente o planejamento orçamentário, a formação de profissionais e a distribuição regional de serviços. Quando políticas públicas são alteradas, o sistema precisa se adaptar em múltiplas frentes, desde a aquisição de equipamentos até a capacitação de equipes.
Esse processo evidencia a importância da governança em saúde, com decisões baseadas em dados epidemiológicos, avaliações de custo-efetividade e capacidade real de execução. Mudanças sem planejamento adequado podem gerar gargalos, atrasos no diagnóstico e frustração da população que busca atendimento.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues ainda alude que a comunicação clara das diretrizes é essencial para evitar interpretações equivocadas e para alinhar expectativas entre usuários, profissionais de saúde e gestores públicos.
Diretrizes para o rastreamento
As políticas de rastreamento do câncer de mama refletem escolhas institucionais que vão além da medicina, envolvendo gestão, financiamento e organização do sistema de saúde. Ao analisar essas diretrizes, Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues destaca que a efetividade da mamografia como estratégia populacional depende não apenas da idade recomendada para o exame, mas da capacidade do sistema de oferecer diagnóstico e tratamento em tempo oportuno. Nesse contexto, o debate sobre rastreamento precisa considerar, simultaneamente, evidências científicas e limites estruturais, para que a política pública produza impacto real na redução da mortalidade e na equidade do cuidado.
Autor: Juscott Reyrex










