Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno, mas rejeição aos dois cresce
Levantamentos divulgados nas últimas semanas mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na frente de todos os adversários testados em simulações de segundo turno para a eleição presidencial de 2026, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL), hoje o principal nome da oposição nas pesquisas. Ao mesmo tempo, os dados também revelam um desgaste simultâneo dos dois lados, com índices de rejeição elevados tanto ao petista quanto ao candidato que carrega o sobrenome do ex-presidente Jair Bolsonaro. O quadro ajuda a explicar por que a corrida presidencial segue indefinida a poucos meses do primeiro turno, marcado para outubro.
O que mostra a pesquisa Quaest de julho
De acordo com a pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho, na simulação de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece com vantagem dentro da margem de erro, enquanto a rejeição ao senador chegou a 57%, o patamar mais alto registrado entre os pré-candidatos até agora, segundo o levantamento publicado pelo jornal O Povo. O mesmo estudo mostra que o presidente é rejeitado por 50% dos entrevistados, contra 47% que afirmam conhecer e votar nele, o que evidencia uma polarização praticamente equilibrada em termos de resistência ao eleitorado. Chama atenção também o dado de fidelidade de voto: entre os eleitores que já escolheram um candidato, 65% dizem que a decisão está fechada e não deve mudar até outubro, enquanto os demais 35% ainda admitem trocar de posição caso algo relevante aconteça na campanha.
Outros institutos confirmam a mesma tendência
A tendência de vantagem do presidente não aparece isolada em um único instituto. Pesquisa Datafolha realizada em junho apontou Lula com 47% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno, margem semelhante à registrada no levantamento anterior, de maio, segundo a CNN Brasil. Já a pesquisa Meio/Ideia, divulgada em julho pelo Brasil de Fato, mostrou o petista à frente tanto no primeiro quanto no segundo turno simulado contra Flávio Bolsonaro e contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, com uma margem de cinco pontos percentuais sobre o senador. O mesmo estudo revelou que a avaliação do governo segue dividida, com 41% dos entrevistados classificando a gestão como ruim ou péssima e 32,5% como ótima ou boa, o que indica que a força eleitoral de Lula não decorre necessariamente de uma aprovação ampla ao seu governo, mas também da fraqueza relativa dos adversários testados.
Cenários contra outros nomes da oposição
Além de Flávio Bolsonaro, as pesquisas testam a força de Lula contra outros pré-candidatos como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, embora este último ainda não tenha confirmado disputa à Presidência. No cenário Datafolha de junho, o presidente aparece com 47% contra 41% de Caiado e com 48% contra 39% do pré-candidato Romeu Zema, do partido Novo. A pesquisa Meio/Ideia registrou vantagens ainda maiores de Lula em simulações contra nomes menos conhecidos nacionalmente, como Renan Santos e Joaquim Barbosa, o que sugere que parte da vantagem do presidente está ligada à falta de consolidação de um nome único de oposição capaz de concentrar o voto contrário ao governo.
O calendário eleitoral pesa nas negociações em Brasília
O ambiente político em Brasília também reflete essa disputa. O Congresso Nacional entrou em recesso nesta sexta-feira (17) deixando propostas sensíveis sem votação, entre elas a PEC da Segurança Pública e a PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1, ambas paradas no Senado à espera de despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. O atraso ocorre em meio a um desgaste na relação entre Alcolumbre e Lula, agravado depois que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, segundo apuração do BPMoney. Esse tipo de impasse institucional tende a se intensificar à medida que a disputa eleitoral avança, já que parlamentares evitam associar seus nomes a votações polêmicas em ano de eleição eleitoral concorrida.
Fidelidade de voto ainda é incerta
Um ponto que merece atenção de quem acompanha a corrida presidencial é a diferença entre intenção de voto declarada e decisão efetivamente consolidada. Como mostrou a pesquisa Quaest, mais de um terço dos eleitores que já indicaram um candidato ainda admite mudar de opinião até a votação em outubro, uma margem capaz de alterar significativamente os cenários hoje favoráveis a Lula. Some-se a isso o fato de que a maior parte dos pré-candidatos de oposição segue testando alianças e definindo palanques estaduais, o que deve influenciar diretamente o desempenho de cada nome nas próximas rodadas de pesquisa.
O que observar até outubro
Para os próximos meses, os pontos centrais a acompanhar são a consolidação de um nome único de oposição capaz de reduzir a fragmentação de votos contrários ao governo, a evolução da avaliação da gestão Lula diante de temas como segurança pública e custo de vida, e o desfecho das negociações no Congresso sobre pautas paradas desde o recesso. Esses três fatores devem moldar boa parte do cenário eleitoral que hoje aparece favorável ao presidente, mas ainda distante de estar decidido.
Fontes consultadas: O Povo, disponível em: https://www.opovo.com.br/noticias/politica/eleicoes/2026/07/15/pesquisa-quaest-traz-dados-de-lula-e-flavio-bolsonaro-em-julho.html CNN Brasil, disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/no-2o-turno-lula-tem-47-contra-43-de-flavio-bolsonaro-diz-datafolha/ Brasil de Fato, disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2026/07/08/pesquisa-meioideia-lula-lidera-cenarios-de-primeiro-e-segundo-turno-contra-flavio-bolsonaro-e-michelle/ BPMoney, disponível em: https://bpmoney.com.br/politica/congresso-recesso-projetos-pendentes-analise










